| " Rosebud". Até hoje, críticos e cinéfilos discutem o significado da palavra balbuciada por Orson Welles na cena final de Cidadão Kane. Seria Rosebud a essência, a tônica da Vida? Ou seria apenas o modo pelo qual o protagonista se referia ao trenó de brinquedo que possuia na infância- antes de ser separado da sua mãe e tornar-se obcecado pelo poder ? Na verdade , essa discussão é irrelevante.O que realmente importa é que Kane é cinema na mais sublime acepção da palavra, jóia de inventividade visual, tesouro que não perde o valor- e que, socialmente falando, é mais relevante hoje do que na época em que estreou: de certa forma, o filme profetizou a era em que vivemos, na qual grande executivos da comunicação (alguns, decididamente inescrupulosos) ditam os rumos dos países, decidem eleições, derrubam governos. O personagem central vivido pelo próprio Orson Welles, foi inspirado em William Randolph Hearst, famoso magnata do jornalismo ianque- reza a lenda- certa vez teria dito a seus fotógrafos: " Vocês providenciem as fotos; eu a guerra". Obviamente, ao meter a mão em tamanho vespeiro, Welles sofreu todo tipo de pressão durante e após a realização do filme. Os extras incluem o documentário Batle Over Citizen Kane- um registro da peleja travada em Welles e Hearst na época do lançamento do filme, bem como a campanha empreendida pelo diretor para manter a legitimidade autoral do projeto, a despeito dos esforços contrários da " oposição". Há, também, entrevistas com o diretor e com astros do filme, fotos, storyboards e comentários em áudio de Wells. Artigo referencial na prateleira de qualquer cinéfilo, Kane nos lembra que a chamada sétima arte, além de meramente entreter, também pode ser um relexo crítico do que acontece fora dos cinemas. Rosebud. ( Eduardo Torelli- Revista SET) Para saber mais consulte www.carleton.edu/curricular/MEDA/classes/media110 |